Lágrimas do céu

Culpados somos nós que maltratamos a natureza. Ela não tem culpa, é a vítima mais sofrida

Última semana de setembro e a tão esperada primavera ainda não apareceu. Nos dois primeiros dias de setembro, houve uma leve esperança; o sol apareceu, e um mimoso beija-flor veio sugar minhas modestas flores. Mas durou pouco essa alegria, e os pássaros que me acordaram cedo nessas manhãs, já não os ouço mais. Agora, trovões e cascatas jorram do céu, castigando as cidades ribeirinhas.

O inspirado poema da cachoeirense Sheila Lobato, “Lamento de um Rio”, traduz fielmente esse momento de dor que estamos vivendo no Estado. “Eu só queria passar”, diz o rio lamentoso. Não queria destruir, roubar vidas, causar danos. Porém, encontrou obstáculos no seu caminho e extravasou pelas margens.

Culpados somos nós que maltratamos a natureza. Ela não tem culpa, é a vítima mais sofrida.

Mas a esperança não morre, ou é a última que fica. O espírito de luta dos gaúchos não esmorece. Agora, é a vez de reconstruir casas, escolas, estabelecimentos de comércio e indústria, proteger animais e plantações, prevenir contra novas intempéries. E os Institutos Meteorológicos precisam equipar-se de aparelhos de alta confiabilidade, como acontece nos países de 1º Mundo, a fim de preparar-se para novos ciclones, dar os devidos alertas e atenuar seus efeitos.

De todos os lados, gaúchos e moradores de outros Estados vêm com presteza acudir aos flagelados, em grupos de voluntários, dispostos a socorrê-los material e emocionalmente.

Exemplo triste foi o da Líbia, que perdeu milhares de vida com os recentes ciclones, e agora seus habitantes estão culpando as autoridades, que não agiram com presteza, para que os males não fossem tão catastróficos.

Este mês de setembro dificilmente será esquecido. Bem diferente daqueles em que se faziam as faxinas de fim do inverno, e guardávamos cobertores e roupas quentes nas prateleiras altas dos armários, para deixar à mão as roupas leves, de meia-estação. Quando a gente se sentia rejuvenescida e com vontade de comprar novos trajes, não se esquecendo de separar as peças com mais de meia dúzia de invernos para o bendito “desapego”.

A Primavera está atrasada, mas vai chegar.