Todos os dias, leio no jornal casos de mortes, atentados e barbaridades cometidas por pessoas que dizem gostar muito do outro/a, mas não aceitam o final de um relacionamento. São os feminicídios e a violência doméstica em geral que crescem a cada dia na rotina do nosso povo.

Ora, o rompimento de um contrato qualquer de negócio pode ser feito sempre que uma das partes tenha vontade de desistir. Só continua valendo se houver interesse de ambos os signatários. Por isso que se diz “com”trato. Nesses casos amorosos, na maioria das vezes, são contratos verbais, de convivência, não documentados.

Na verdade, um relacionamento social, namoro, amasiamento, casamento ou coisa que o valha, também é um contrato de negócio, é uma empreitada conjunta que exige sacrifício dos dois lados. A partir do momento que alguém resolve dividir a rotina de seus dias com outra pessoa, passa a não ser mais dono/a exclusivo/a do seu tempo e de suas ações do cotidiano. Se resolver viver sob o mesmo teto, dividindo tempo e despesas, a coisa complica um pouco mais.

É muito comum, talvez fruto da nossa cultura ainda machista, que as pessoas se considerem proprietárias das outras em um relacionamento duradouro, castrando e podando a vida do outro, como se estivesse obrigando o parceiro a viver exclusivamente a serviço dos seus desejos e preferências.

As relações sociais vêm se modificando ao longo do tempo. Até meio século atrás, havia namoro, noivado e casamento obrigatórios para um casal constituir família. Essas relações se modificaram e já é comum partir da ficada para um acasalamento público. Às vezes, nem isso, partindo de um encontro casual para a geração de filhos e o início de diversas pendengas, fruto da fraqueza da relação, que muitas vezes acaba em tragédia ou desavenças para o resto da vida. Em Caçapava, por exemplo, é muito grande o número de mães de pouca idade criando seus filhos sem pais.

Outro fator desagregador da família tradicional é a situação econômica. Quando começam a aparecer carências para as crianças de hoje, desta nossa cultura consumista e modernosa, não é difícil que um dos dois queira partir para outra na tentativa atraente de melhorar de situação. Sair fora, como se diz. Não existe mais ninguém, principalmente os jovens, que abra mão de possuir um celular da moda, de tomar umas no final de semana e de vestir roupa e calçar tênis mais do gosto da maioria. Já vai longe aquele tempo de só possuir um par de sapatos, que eram usados até acabarem, e ainda com meia sola, e uma ou duas calças de brim comum, sem penduricalhos ou rasgos modernistas.

Aí algumas pessoas resolvem tirar a vida do outro/a porque estão saindo com um terceiro, ou porque não querem mais ficar com elas, como se o seu pseudo amor fosse obrigatório e doentio ao ponto de prejudicar a vida de toda uma família dessas de hoje. O sofrimento por amor pode até acontecer para os deslumbrados e imaturos da vida, porque quando se alcança certa experiência existencial, produto de muitas vivências, sobram relacionamentos fugazes, desses de fácil ocorrência.

Como diz a canção aquela: “chorar por amor, nunca mais”. E eu digo: matar por amor, nem pensar.