Lendo o livro Por uma Igreja do Reino, me chamou atenção o título sobre o Proselitismo, razão pela qual resolvi partilhar com vocês, queridos leitores e leitoras.

Uma tentação que está muitas vezes presente na vida da Igreja é a do Proselitismo, quer dizer, evangelizar tendo como primeiro objetivo fazer sequazes, pondo de fato a conversão e o seguimento de Jesus Cristo em segundo plano, ainda que continue o primeiro no nível da intenção.

Este perigo é reforçado hoje em dia também pela gratificação que vem do número, isto é, da lógica da audiência. O que conta é encher as Igrejas! Se estão meio vazias, então significa fracasso! O que conta é a quantidade das conversões ou das presenças. Assim como acontece no mundo midiático, o programa televisivo não tem futuro se não tem uma boa audiência, ainda que no nível qualitativo seja bom e muito educativo, ao passo que outro programa, mesmo não sendo nada educativo nem de qualidade, continua existindo porque tem boa ou ótima audiência.

O Proselitismo religioso se põe nesta linha: “sempre preocupado com números, por isso faz de tudo, sem dúvida de modo camuflado, contanto que leve as pessoas para a Igreja. De fato, a síndrome da audiência está presente também na vida da Igreja, tanto no nível do vértice eclesial como no da realidade paroquial, dando muita importância à quantidade dos batismos, crismas, matrimônios, ou às igrejas lotadas, aos grupos paroquiais numerosos e às realidades pastorais de grande afluência”.

Se usássemos este critério para avaliar a ação de Jesus Cristo, concluiríamos que foi um fracasso, porque nos momentos mais importantes de sua missão, Ele se achou com poucos seguidores ou até mesmo quase sozinho, como no momento da cruz. O concílio Vaticano II encerrou esse modelo de eclesiologia, dando finalmente prioridade ao Reino de Deus como grande horizonte da caminhada eclesial, segundo uma eclesiologia reinocêntrica, na qual a principal preocupação é a construção do Reino de Deus.

O grande objetivo da Igreja deve ser o de conduzir as pessoas a Jesus Cristo e fazê-las viver a experiência forte de encontro com o Ressuscitado. A Igreja deve ser, portanto o espaço que faz com que os fiéis tenham a oportunidade de conhecer, amar e seguir Jesus. Não tanta preocupação com o número de fiéis, mas com construção do Reino de Deus com aqueles que se tornam seguidores de Jesus.

A construção do Reino de Deus passa também pela nossa missionaridade, ser presença de Deus na vida das pessoas. Sair, ir ao encontro, estar junto, especialmente nos momentos mais desafiadores da vida das pessoas. Passada essa pandemia, é momento de sair da nossa zona de conforto e ir ao encontro do outro e junto com ele construir uma sociedade mais Justa, mais Humana e mais Solidária, ou seja, construir o Reino de Deus no meio de nós!