Caçapava, se bem me lembro, já foi conhecida como a Sentinela dos Cerros – existe até um CTG com essa denominação histórica –, como 2ª Capital Farroupilha, outros inventaram Portal do Pampa e agora, recentemente, a chamam de Capital do Carinho. Cada grupo, em diferentes épocas, mudou o nome turístico da cidade, tentando deixar a sua marca política nos anais do município, pela importância que avaliam possuir e, com isso, desmoralizando a nossa história e as nossas tradições culturais. Caçapava vive trocando de apelido ao bel prazer de seus mandatários de plantão. Assim como se muda a marca de um governo.

Caçapava poderia ter sido chamada também de Capital das Farmácias, já que cada esquina do Centro tem uma; de Capital da Bombacha, pelo grande número de gaúchos do interior circulando pilchados, a pé pelas suas ruas mal cuidadas; de Cidade dos Cachorros, pela quantidade de guaipecas soltos sem dono, sujando as ruas e calçadas com seus dejetos não recolhidos pelos amigos dos animais vadios. Poderia ser também a Cidade das Casas de Agropecuária/Pet Shop, em função da enorme existência desse ramo de comércio de hoje em dia. E, atualmente, poderia ser conhecida como a Capital dos Galpões de Pré-moldados, em função da exuberância das novas construções que viraram moda e saem do chão num upa, da noite para o dia. Quem sabe, também, de Aconchego dos Barbeiros, hoje com nomes mais modernos, de salões… E tem barbearia!

Tudo tem explicação, claro, e justificativas para existirem. Eu sei que até os protetores dos animais irão me criticar pela citação dos guaipecas, pobrezinhos, que merecem viver com dignidade e não devem sofrer maus-tratos por parte de donos irresponsáveis ou despreparados.

A luz de tudo isso, me ponho a pensar no quanto se perde tempo discutindo o sexo dos anjos, fazendo fofoca, e não se cuida de unir esforços para bem prestar os serviços de que a população realmente necessitada precisa, gerando emprego e criando renda para quem tem vontade de trabalhar para conquistar cidadania digna. Favores agradam aos recipiendários na hora do aperto, no sufoco, e dão satisfação aos prestadores, mas não é o caminho mais curto e mais correto para solucionar demandas históricas, encruadas.

Há um antigo dito popular que dizia que “gato com fome come laranja”. Isto é, no aperto, na dor, na força do ódio, a gente apela e aceita quase todas as condições ofertadas, e ainda gradece ao benfeitor pelo favor recebido. Mas isso também denigre, humilha e diminui o suplicante. Isto acontece muito no transporte da saúde, na marcação de consultas, na entrega de uma cesta básica e, também, na enrolação de uma promessa sem-vergonha, que nunca se materializa.

Tomara que assim como muda de nome e de costumes, Caçapava também, um dia, possa mudar de rumo, com os que lhe governam os destinos administrativos respeitando o povo contribuinte que lhe delegou certas obrigações funcionais, que atualmente não cumprem. Que, pelo menos, prestem contas com transparência e responsabilidade, o que também não andam fazendo.