Primeira edição do Projeto “Você não está sozinha”, do MPRS, em Caçapava foi realizada na segunda-feira. Conforme o promotor Guilherme Guerra, idealizador da iniciativa, o objetivo é humanizar e empoderar as vítimas
O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) em Caçapava realizou na segunda-feira (07) a primeira edição do projeto “Você não está sozinha”, que tem o intuito de receber as vítimas de violência antes das audiências judiciais nas quais prestarão declarações, fornecendo um ambiente acolhedor e seguro, com a presença da rede de proteção às mulheres.
– O objetivo dessa iniciativa é humanizar e empoderar as vítimas. De um lado, buscamos fortalecer o papel da vítima no processo, fazendo com que se sinta parte ativa na defesa dos próprios interesses, e não apenas uma espectadora de terceiros, geralmente homens, discutindo um episódio traumático de sua vida. Por outro lado, o objetivo é reforçar a consciência coletiva dentro da comunidade de que, nos processos de violência doméstica, a vítima é vítima e ponto final. É fundamental demonstrar que o Ministério Público está e estará ao lado dela do início ao fim, afastando qualquer questionamento baseado em estigmas ou preconceitos de gênero que, frequentemente, recaem sobre essas mulheres – explica o promotor Guilherme Guerra, idealizador do programa.
De acordo com ele, a intenção é diminuir a hostilidade no momento da audiência e transformar o processo em uma ferramenta que permita à vítima encerrar o ciclo de violência ao qual estava submetida e seguir sua vida sem que aquele episódio a defina.
– Quem deve ter sua conduta questionada é o réu. O apoio do Ministério Público reforça que, nos casos de violência doméstica, a vítima deve ser cuidada e amparada, jamais questionada ou culpabilizada – completa Guerra.
Durante os encontros, acontece uma apresentação de toda a rede de proteção disponível, com explicações de como podem auxiliar a vítima, com atendimento psicológico especializado, assistência social, acompanhamento jurídico, casas de acolhimento, grupos de apoio, programas de capacitação profissional e serviços de saúde especializados. A apresentação visa a garantir que as mulheres conheçam todos os recursos disponíveis para sua segurança psicossocial e o acolhimento necessário, não apenas durante o processo judicial, mas também para a reconstrução de sua vida.
Ainda, um componente educativo fundamental do projeto é a explicação sobre o ciclo da violência doméstica e familiar. Por meio de linguagem acessível e de exemplos práticos, os profissionais da rede explicam as fases do ciclo de violência (tensão, agressão, lua-de-mel), como identificar sinais de escalada da violência, as estratégias utilizadas pelos agressores para manter o controle e a importância de romper este ciclo não apenas para sua própria segurança, mas também para a proteção de filhos e outros familiares.
Neste primeiro atendimento, participaram o promotor Guilherme Guerra, a coordenadora do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), Aline Beltrame, e os servidores do serviço, Ana Paula Ferreira de Freitas e Carlos Eduardo Santos Druzian.
Texto: Ascom MPRS – adaptado