Jesus tinha concluído a liturgia da multiplicação dos pães. Tomou para si o rito de despedir a multidão saciada e mandou que os seus discípulos atravessassem de barco para a outra margem, na direção de Betsaida (Mc. 6, 30-44). Enquanto eles partiram, anoiteceu, e Jesus subiu a montanha para orar. Os discípulos no mar, à noite, tinham dificuldade de avançar remando. Jesus, em terra, percebeu o desafio que enfrentavam e foi até eles, andando sobre as águas, em meio à tempestade. Os discípulos tiveram medo. Ficaram apavorados. Jesus entra no barco, cessa o vento, a tempestade se acalma. Jesus consola os discípulos, animando-os: “Coragem! Sou eu. Não tenhais medo”.

A coragem e o destemor que marcam a vida cristã vêm do alto. “Não tenhais medo”… Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos.

Estas palavras permitem-nos partir e servir com aquela atitude cheia de coragem com o Espírito Santo suscitava nos apóstolos, impelindo-os a anunciar Jesus Cristo. Ousadia, entusiasmo, falar com liberdade, ardor apostólico.

É sem dúvida mais cômodo permanecer na margem, olhar o mar de fora. Na margem, podemos estar sentados, comentando os acontecimentos, na tranquilidade do deixar o tempo passar… A margem nos dá segurança! Jesus, porém, nos convida para águas mais profundas, avançar mar adentro, lançar as redes, iniciar a pesca. Sem medo, contando com a sua presença, com a coragem vinda do alto.

A santidade a qual somos chamados é um desafio sim, mas é também sim, um ato de confiança; é deixar as redes na praia e seguir o Mestre.