Nossas leis

“Dá para entender por que um trabalhador que falta ao trabalho todo o mês é demitido por justa causa, enquanto um deputado federal segue recebendo remuneração e privilégios fora do país, sem exercer seu cargo por meses seguidos?”

Cada dia a aplicação das leis no país parece mais confusa. Enquanto a Constituição de 1988 prega a erradicação da pobreza e da marginalização; a redução das desigualdades sociais; e a promoção do “bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, idade e quaisquer outras formas de discriminação”, o que vem acontecendo desde o início do descobrimento do Brasil são as flagrantes diferenças no cumprimento das leis.

Dá para entender por que um trabalhador que falta ao trabalho todo o mês é demitido por justa causa, enquanto um deputado federal segue recebendo remuneração e privilégios fora do país, sem exercer seu cargo por meses seguidos? E a fugitiva Carla Zambelli, que só agora vai deixar de receber seus pagamentos?

O julgamento das altas autoridades acusadas de golpe e de outros crimes contra a nação é tão complicado e cheio de prazos e níveis de Gabinetes da Justiça – STF, STJ, Tribunais Regionais, Juízes Federais, AGU e outros – que leva um tempo infindável e custos altíssimos, enquanto o indivíduo comum é logo julgado, condenado e recolhido ao presídio, sem meios de contratar advogados. E dali vai sair – se sair – revoltado, desacreditando na Justiça e convertido ao crime por tudo que aprendeu na prisão.

Estamos chegando ao Natal. Época de corações abertos para o amor, a paz, a igualdade. O Evangelho nos conta a vida de Cristo e seus ensinamentos. Ele veio para restaurar a Justiça que, pelos fariseus, era aplicada severamente sobre os humildes, reservando aos sacerdotes e aos escribas todos os direitos.

Para Cristo, a Vida vale mais do que a Lei. E as bem-aventuranças são prometidas a todos os homens e mulheres que têm fé e praticam o Bem. Não importa sua procedência, se do Oriente, do Ocidente, de qualquer canto do mundo. Os exemplos da boa Samaritana, da pecadora que deixou de ser apedrejada, do alto oficial romano que pediu a cura de seu criado – nenhum deles era judeu ou compatriota de Jesus. Pois Ele veio para salvar o mundo todo.

Mas é preciso ter fé. E ir ao encontro, agir, ajudar a acontecer. Não podemos esperar sentados.

Que Nosso Natal seja essa demonstração de fé e de amor que vamos praticar nas ofertas aos mais humildes e carentes de nossa comunidade. E que a Estrela de Belém brilhe para todos nós.