Amor de perdição, de Camilo Castelo Branco, é ambientado em Portugal, em meados do século XIX. Na introdução do romance, o narrador explica que, olhando antigos assentamentos das cadeias da Relação do Porto, encontrou informações sobre o caso de um rapaz chamado Simão Antônio Botelho, de 18 anos, que havia sido preso e enviado para a Índia. Consternado pelo que acontecera a alguém tão jovem, ele diz que contará essa história para que os leitores entendam seus sentimentos.

Filho de Domingos Botelho, corregedor de Viseu, aos 15 anos, Simão vivia em Coimbra com o irmão mais velho, Manuel, e estudava humanidades. Mas a convivência dos dois não era pacífica devido ao comportamento de Simão. Segundo Manuel, ele usava o dinheiro dos livros para comprar armas, andava com as piores companhias, fazia badernas e provocava brigas.

Nas férias, ao voltar à casa dos pais, Simão entrou em uma confusão, iniciada por um criado de sua família, e feriu várias pessoas. Homem da lei na cidade, Domingos recebeu as denúncias e ordenou a prisão do filho. A mãe de Simão, D. Rita, financiou sua fuga, e ele retornou a Coimbra.

Lá, acabou preso enquanto proferia um discurso político e, após seis meses detido, então com 17 anos, voltou a Viseu e mudou completamente de postura. Mas isso tem uma explicação, e não é a prisão: ele se apaixonara por uma vizinha, Teresa de Albuquerque. Ela o correspondia, mas seu pai era um problema, pois odiava Domingos por ter proferido algumas sentenças contrárias a ele, e por dois de seus criados terem sido feridos por Simão na briga ocorrida em sua última estada na cidade.

É esse amor que será a perdição dos protagonistas. Mas o que de tão grave Simão fará para merecer não só o cárcere, mas também o afastamento de sua pátria?

Amor de perdição é uma obra cheia de referências ao contexto histórico da época, que é elucidado aos leitores através de notas de rodapé, assim como as expressões do português de Portugal estranhas a nós brasileiros. Eu gostaria de falar muitas outras coisas sobre esse livro, mas teria que justificá-las com um enorme spoiler sobre a trama. Então, me limito a dizer que não consigo entender como as pessoas puderam, um dia, ser tão ignorantes.

 

Referência:

BRANCO, Camilo Castelo. Amor de perdição. 2ed. São Paulo: Scipione, 1999.