O amor que se acabou

“Lei Maria da Penha, cadeia, denúncia de assédio, Medida Protetiva de Urgência, nada tem feito com que esse crime seja extinto ou pelo menos atenuado”

Feminicídio! É a notícia que não falta nos jornais do país! Todos os dias, desde a Covid-19, que eu me lembre. Lei Maria da Penha, cadeia, denúncia de assédio, Medida Protetiva de Urgência, nada tem feito com que esse crime seja extinto ou pelo menos atenuado.

Os relacionamentos, que por certo começaram por amor ou afinidades, atração sexual, ou conveniência, perderam seus encantos no dia a dia. Falta de compartilhamento das tarefas e responsabilidades do lar, do custeio e da educação dos filhos, sobrecarregando a mulher, então o casal vai perdendo o respeito mútuo até chegar à separação.

Mas a história não termina aí. Quando a ex-esposa encontra um novo companheiro, o ex-marido – que foi muitas vezes o que abandonou o lar – não se conforma com a situação. E acontece um novo feminicídio.

Quem mais sofre com a separação dos pais, ter de conviver com padrasto – que muitas vezes é outro vilão –, são as crianças. Dificilmente ficarão curadas dos estigmas que o novo lar lhes oferece.

Se toda profissão exige um adequado preparo e formação, mais ainda se deve esperar de um casal que inicia sua vida conjugal. Cursos para noivos são raros, e os poucos restantes têm um dia de duração. Quando para ser professor, sacerdote, advogado ou médico, quantos anos de estudo e dedicação!

As estatísticas demonstram que estamos vivendo mais anos de vida útil. Pessoas de sessenta, setenta anos se relacionam nos bailes e festas, e muitos romances se iniciam. Talvez então a percentagem de acertos supere os fracassos. Mas, mesmo nessa faixa etária, não estamos longe do perigo da ilusão dos holofotes. Há muita gente mascarada que só espera o momento de atraiçoar, dar o golpe do baú.

Um fato chocante aconteceu há poucos dias. Um pai separado levou os filhos menores para passar com ele o fim de semana. Pois matou os dois para vingar-se da ex-companheira.

Ultimamente ando lendo poesias, para continuar acreditando que o amor existe. Ruth Farias Farré, poetisa santa-mariense famosa, e Gaspar Leal Paz, poeta e violonista caçapavano, reconhecido no país e no estrangeiro, professor de Filosofia, da Unisinos, abordaram o tema de feminicídio. Gaspar com vergonha de tais elementos de seu gênero. E Ruth dando a receita de um companheiro ideal, no seu livro Receita de Homem e outros Poemas. Aqui vão alguns “ingredientes”: “Que chegue ousado, para tomar posse/ mas ciente de que nunca será senhor absoluto. (…) Mas ternura é fundamental. (…) E aceite, na luta, ser dominador e dominado. (…) Que tenha risos para rir de vez em quando e carregue enormes reservas de humor inteligente”.