O amor

“Quem se atreveria encarar esta discussão tão abstrata e até imensurável na sua essência? Convido-lhes a viajar através – ou por intermédio – das linhas desta escrita despretensiosa”

Obs.: nesta época do ano, todos os anos, renovamos relações e bons sentimentos, reunindo familiares e amigos para lembrar “do” ou celebrar “o” AMOR.

O amor é um pé de vento

Que nasce não se sabe donde,

Que cresce não se sabe como

E que, às vezes, morre quando menos se espera.

O amor é uma quimera,

Talvez uma quirera

Que um passarinho faminto rouba de ninguém.

O amor é assim:

Nem mais, nem menos tênue

Do que a aura dos amantes envolvidos,

Não menos forte do que o arfar dos corpos abrangidos,

Nem menos fraco do que o furor já reduzido,

Enquanto houver raio de olhar incandescente,

A persistir no afã interno e até latente

De querer ser amado sempre mais.

Ah, o AMOR! Quem se atreveria encarar esta discussão tão abstrata e até imensurável na sua essência? Convido-lhes a viajar através – ou por intermédio – das linhas desta escrita despretensiosa.

Sei que, para início de conversa, quase todos já enveredaram o pensamento para o lado do namoro, do casamento, da paixão, do tesão, etc. Seria o mais normal. Mas existem também amores filiais, afetivos, de gratidão, por consideração e por admiração, sublimadores em essência, não carnais. O amor a Deus, às artes, às letras, à natureza, ao universo, aos animais, aos nossos semelhantes terrenos, etc.

Quando resolvemos juntar os trapos com outra criatura, por casamento ou por convivência, o fazemos por um tantinho que seja de amor afetivo. Quando nascem os filhos, fruto dessa união amorosa, ele renasce de outra forma, dividindo espaços e repartindo atenções, mas de outra dimensão e em outra intensidade.

A convivência fraterna que reparte agruras e soma realizações pessoais nas conquistas da vida se desgasta com o tempo e a rotina, evolui para respeito e consideração. O tesão sexual do início de uma relação nova também esfria e perde intensidade pelo mesmismo e pela assiduidade.

Mas o amor pode sim sobreviver ao longo do tempo transfigurado em parcerias consistentes e cumplicidades consentidas e amadurecidas.

Ainda acredito no poder curativo e restaurador do amor de qualquer tipo e intensidade. AH O AMOR, SEMPRE O AMOR… ETERNO ENQUANTO DURA OU SE TRANSFORMA.