O bebê idoso

Como nós somos capazes de fazer alguém se sentir mal simplesmente por não ser igual. Será que não percebemos que deixamos os outros tristes com nossas atitudes? Ou simplesmente não nos importamos?

Esta história, provavelmente vocês já conheçam através da adaptação para o cinema, se é que já não leram O curioso caso de Benjamin Button. Mas hoje, mais do que indicar a leitura, quero propor uma reflexão sobre o comportamento humano.

Em 1860, quando a família Button está à espera do primeiro filho, toma uma decisão incomum para a época: ter o bebê em um hospital. Porém essa não é a única coisa atípica envolvendo o caso. Ao perguntar ao médico se havia alguma novidade sobre o nascimento do filho, o sr. Button é tratado de forma ríspida. O que quer que tenha ocorrido deixara o médico ultrajado.

Mas os acontecimentos estranhos não pararam por aí. As enfermeiras também não reagem bem quando o sr. Button se apresenta e diz estar ali para ver seu bebê. As coisas só começam a fazer sentido para ele (se é que posso dizer isso) ao ser levado ao berço do filho e lá encontrar um idoso de 70 anos. Como lidar com uma situação dessas?

O sr. Button tenta tratar o filho como um bebê, mas isso não funciona muito bem, pois Benjamin (esse foi o nome que recebera) tem hábitos de idoso.

O tempo passa e, logo após completar 12 anos, Benjamin faz uma incrível descoberta: ao contrário dos demais, não está envelhecendo, mas sim rejuvenescendo. E apesar de aparentar que isso resolverá todos os problemas, no fim, apenas criará novos.

A primeira reflexão que a história me trouxe foi sobre como temos dificuldade de enfrentar o inesperado e como as pessoas são preconceituosas com o diferente. O sr. Button fica completamente aturdido com a aparência do filho e tenta forçá-lo a ser como não é. Não seria mais fácil aceitar a situação e tratá-lo como um idoso em vez de um bebê? E o médico e as enfermeiras, tudo o que querem é estar o mais longe possível daquele “bebê idoso” e expulsar a família Button do hospital e de suas vidas. Quantas vezes não agimos errado assim?

E a segunda reflexão que fiz, vendo todas as situações de preconceito pelas quais Benjamin Button passa, foi sobre como nós somos capazes de fazer alguém se sentir mal simplesmente por não ser igual. Será que não percebemos que deixamos os outros tristes com nossas atitudes? Ou simplesmente não nos importamos?

Referência:

FITZGERALD, F. Scott. O curioso caso de Benjamin Button. Tradução: Debora Fleck e Mariana Serpa. Rio de Janeiro: Antofágica, 2022. 176p.