O papel democrático da escola

A Escola deve abrir as portas para a comunidade onde está inserida e a quem deve servir e, em contra partida, aproveitar dela os serviços organizados que possam contribuir para a melhoria educativa, num trabalho de parceria

No decorrer do tempo, foram muitas as tendências pedagógicas da Escola. Atualmente, a Escola deve constituir-se de um espaço democrático. Deve promover a participação de toda a comunidade escolar no processo educativo, numa gestão colegiada. Isto é incentivar a organização de todos os segmentos da comunidade escolar, oportunizando as relações interpessoais dialógicas, eliminando, assim, a dicotomia entre aqueles que sabem e decidem, e aqueles que executam tarefas.

Como enfatiza Madalena Freire, “que cada um na sua função, no seu papel possa exercer o poder, que cada função e cada papel tenha a mesma igualdade de direito; que o educador, o educando, os funcionários, o diretor, a coordenação tenha sua autoridade e seu poder. Mas que isso se dê nas diferenças que cada poder demanda” (1992, p.152)

O contexto escolar precisa transformar-se no livre e efetivo exercício de cidadania, resgatando a coerência do discurso com a prática, para a preparação de cidadãos, de cidadãs autênticos, dos quais tanto carece nossa sociedade.

A Escola deve abrir as portas para a comunidade onde está inserida e a quem deve servir e, em contra partida, aproveitar dela os serviços organizados que possam contribuir para a melhoria educativa, num trabalho de parceria. Essa articulação dependerá da competência e do bom senso da equipe administrativa pedagógica e financeira escolar. Cabe a cada serviço, na sua especificidade, o conhecimento necessário da dinâmica organizacional, para uma atuação integrada e essencialmente ética.

Segundo Saviani, “a educação enquanto que articulada com as realidades sociais exerce uma atividade mediadora no seio da prática social global […] em termos de ação recíproca.” (1980, p. 120)

Numa gestão democrática eficiente da Escola, em primeiro lugar, todos os sujeitos do processo educativo têm bem claro o conceito de democracia, que implica questões éticas, político-sociais, culturais e filosóficas; em segundo lugar, a sua incorporação no seu fazer pedagógico. Deve ser selecionado um adequado e atualizado referencial teórico-pedagógico, bem como oportunizar ao quadro de pessoal da comunidade escolar um amplo espaço de estudo e reflexão do mesmo. A gestão democrática pedagógica facilita o interesse do aluno real ao ingresso e à permanência com sucesso na instituição educacional.

Outro aspecto considerado como prática de democratização da Escola é a eleição de diretores(as), que sob o ponto de vista legal, deixa a desejar quando ignora a qualificação de gestor(a) aos candidatos, às candidatas, como pré-requisitos para o exercício da função, desprestigia a larga formação dos especialistas em gestão escolar, profissionais que estariam aptos à exercê-la. Esse é um aspecto que fere os princípios pedagógicos como eixo da educação formal. Além disso, facilita a interferência da política partidária com seus vícios e manipulações por interesses pessoais e/ou grupais.

Como afirma Edgar Morin, “não se pode reformar a instituição sem uma prévia reforma das mentes, mas não se pode reformar as mentes sem uma prévia reforma das instituições.” (2002, p. 102)

A Escola pública, engessada pelos sistemas de ensino, passou por várias tendências pedagógicas, submeteu-se à várias reformas, segundo os paradigmas que regem as relações econômicas dos poderes sociais vigentes de cada época.

Libânio explica que “a educação brasileira, inserida numa sociedade constituída por classes sociais com interesses antagônicos, a prática escolar tem atrás de si condicionantes sócio-políticos que configuram diferentes concepções de homem e de sociedade e, consequentemente, diferentes pressupostos sobre o papel da Escola.” (1993, p.19)

Hoje, embora a retórica do discurso educacional seja a preparação do sujeito para a vida social, para o exercício da cidadania, ainda em grande número de instituições predomina a pedagogia tradicional da transmissão de conhecimentos fragmentados, sem significado para o aluno, que se sujeita a simples memorização, a “educação bancária”, segundo Paulo Freire.