O sentido da vida

“Coincidências acontecem, e ontem houve uma bem peculiar. Na hora de agendar a renovação da minha CNH, ficou marcado o dia 13 para o exame médico. Justamente no meu aniversário, 95 janeiros bem vividos”

Coincidências acontecem, e ontem houve uma bem peculiar. Na hora de agendar a renovação da minha carteira – CNH –, ficou marcado o dia 13 para o exame médico. Justamente no meu aniversário, 95 janeiros bem vividos.

Quando cheguei ao CPM, fui saudada afetuosamente por sua diretora, Sandra, que não esqueceu a data, porque era também o aniversário de sua mãe, Maria Maciel. As demais funcionárias me abraçaram, com votos de saúde e felicidade. A sala estava cheia, e todo o mundo ficou admirado de ver a velhinha de bengala receber tais homenagens. Havia pessoas de todas as idades, mas chamou-me a atenção uma mocinha que decerto estaria providenciando sua primeira carteira de motorista.

Esqueci de apanhar a senha para o atendimento, mas me atenderam assim mesmo, e encaminharam para a ante-sala do Médico.

Pensei, com gratidão, em como a vida, ali, estava sendo valorizada. E lembrei de Viktor Frank, fundador da Logoterapia, sobrevivente dos campos de extermínio nazista, na Segunda Guerra. Ele observava seus companheiros de sofrimento, que iam perdendo até o senso de identidade, pois para os algozes, eles eram apenas números sem valor, por não pertencerem à raça ariana.

Frank, reduzido a pele e ossos, louco de fome e de frio, tentou buscar o sentido daquilo tudo que estava vivendo, e chegou à conclusão de que devia proteger seu senso de humanidade, não se deixando mergulhar pela situação-limite do campo de concentração. Milagrosamente salvo, ele dedicou-se ao estudo da busca do sentido da vida, tornou-se professor, conferencista e escritor, difundindo sua doutrina de manter a liberdade interior e animar pessoas para esse empenho de sentir-se humano, solidário, vendo nos pequenos sinais do cotidiano o caminho para a própria redenção.

Ontem, acordei mais cedo e ainda alcancei o gorjeio dos pássaros saindo dos ninhos. Eles não esquecem seus objetivos e os cumprem fielmente.

Em meio às felicitações de familiares e amigos, sinto-me feliz por pertencer a esses grupos tão queridos, que fazem a alegria de minha vida.