Após as denúncias de violência obstétrica feitas por mães à Prefeitura, à Câmara de Vereadores e ao Ministério Público, os obstetras que prestam serviços ao Hospital de Caridade Dr. Victor Lang (HCVL), no final de julho, apresentaram aviso prévio à administração hospitalar, afirma o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) em nota enviada à imprensa.

Conforme o Sindicato, há muito tempo os profissionais convivem com sobrecarga extrema de trabalho, falta de formalização contratual, inexistência de segurança técnica (escassez de médicos de outras especialidades para dar suporte na hora do parto, como anestesista e pediatra neonatal), déficit de insumos, atrasos nos pagamentos das Autorizações de Internação Hospitalar (AIH) e baixo valor pago do valor-hora e do plantão de sobreaviso.

A entidade também diz que os administradores do HCVL estão cientes das demandas e se comprometeram, em reunião virtual com o vice-presidente do Simers, Marcelo Matias, em 12 de agosto, a oficializar os contratos de prestação de serviço e a encaminhar um ofício ao Sindicato – o que já ocorreu –, formalizando proposta de pagamento das AIH.

Segundo o Simers, o pedido de demissão coletiva expira na próxima quarta-feira, dia 21, porém nada evoluiu no tocante aos pedidos feitos pela categoria.

O que diz o HCVL

A Gazeta procurou a administração do Hospital na quarta-feira, dia 14, para comentar o assunto. No início da tarde de hoje, dia 15, a Assessoria de Comunicação do HCVL enviou nota oficial à imprensa, na qual afirma que o documento enviado pelo Sindicato aos meios de comunicação “contém inverdades, que foram esclarecidas verbalmente em reunião ‘on line’ e por escrito através de ofício, a respeito da falta de suporte anestésico e pediátrico e, também, a respeito de falta de insumos”.

A nota do Hospital também informa que os atrasos de repasses de honorários das AIH ocorreram devido ao desgaste financeiro causado pela pandemia da Covid-19, mas já estão sendo pagos, e que ainda precisam ser “resolvidos os pedidos que não dependem apenas do Hospital e sim do Poder Público”.

Também na nota, a instituição informa que representantes do Hospital, do Simers e das Prefeituras de Caçapava e de Lavras do Sul se reuniriam na tarde de hoje para discutir o tema.

Foto: arquivo Gazeta