Oito de janeiro de 2023

Não dá para defender baderneiros de qualquer bandeira, sob a ótica da liberdade de expressão e do direito de ir e vir

Já faz um ano que uma turba de malfeitores depredou as três sedes dos Poderes da República, em Brasília. Não dá para defender baderneiros de qualquer bandeira, sob a ótica da liberdade de expressão e do direito de ir e vir.

Passados estes quase 400 dias, houve comemorações ou referências oficiais ao acontecimento, e não faltaram exageradas conclusões políticas para tirar partido da situação.

Na verdade, alguém mandou quebrarem tudo para que fossem convocadas as Forças Armadas para colocar ordem na situação e criar uma oportunidade para uma intervenção militar e, talvez, um golpe de Estado, com a consequente implantação de outro governo federal. Acontece que isso não teria sido bom para o País, para nossas instituições, e tampouco para nossa democracia.

Embora muitos entendidos critiquem a atuação do Supremo Tribunal Federal, nesse e em outros casos políticos, não dá para esquecer que havia muita gente “grande” torcendo para que o Lula não assumisse.

Eu, aqui com meus botões, que já vi tanta coisa engraçada acontecer  nos últimos tempos neste Brasil velho de guerra, avalio, de cabeça fria, que aquela bagunça toda não estava certa e nem foi adequada para caracterizar uma luta política pela conquista do poder.

Também não tenho certeza se a soltura do Luiz Inácio aconteceu dentro dos preceitos legais. Afinal, prendem e soltam tanta gente injustamente que nem existem mais lógicas processuais em certos casos, quando a justiça é interpretativa.

Outro dia, assisti a uma entrevista de um juiz de primeira instância na TV, dizendo que o julgamento é um ato técnico do julgador e ocorre de acordo com a letra fria das leis vigentes. Será que acontece sempre assim, em todos os casos/processos? Vale não esquecer que os senhores ministros do Supremo sempre foram e continuam sendo indicações políticas de competência exclusiva do Presidente da República, e de que nunca, na História deste País, o Senado Federal rejeitou algum nome indicado para a Suprema Corte.

Tomara nunca mais aconteçam outros “oito de janeiro” e que continuemos deixando para a maioria do nosso povo o livre-arbítrio de eleger os seus governantes, até para poder cobrar e substituí-los, pelo voto, quando assim o desejarem. E se foi tentativa de golpe, deve ter sido um caminho perigoso e irresponsável, para construir um caos político e administrativo, que acabou levando os burros pra água e alguns para a cadeia.