É, o ano de 2021 está chegando ao fim. O início foi difícil, mas aos poucos, com o avanço da vacinação, as coisas começam a voltar para o seus lugares. Claro que alguns problemas continuam, mas a economia voltou a funcionar gerando emprego e renda. No curto prazo, os números estão mais ou menos definidos e o último boletim Focus do Banco Central trouxe indicadores que demonstram os cenários futuros.

 

Inflação

Em relação à inflação, a tendência é de alta. Trinta dias atrás, a previsão era de 8,51%; há uma semana, passou para 8,96%; e agora está em 9,17%, com viés de alta. Existe uma forte torcida para que feche com um digito. Para 2022, a previsão é de 4,55%, e para 2023, de 3,27%. Os economistas estão apostando que a inflação será contida num cenário de médio prazo.

 

Produto Interno Bruto

Desde o início do ano, os indicadores do Banco Central previam um crescimento da economia em torno de 5%. O tempo foi passando e as alterações foram pequenas. Há um mês, a previsão era de um crescimento do PIB de 5,04%, e há uma semana, este número caiu para 4,97%. Hoje, a expectativa é de que a economia brasileira, neste ano, venha a crescer 4,94%. Se isto acontecer, servirá pra cobrir o prejuízo de 2020 e ainda ter uma sobra. Mesmo com alguma queda, o número deverá permanecer dentro desta última projeção. Para 2022, é esperado um crescimento de 1,20% e, para 2023, de 2%.

 

Câmbio

O momento é de dólar elevado e em alta. É bom ressaltar que a valorização da moeda americana é um fenômeno mundial que está a desvalorizar todas as outras. Segundo o BC do Brasil, as verdinhas devem fechar o ano em torno de R$ 5,50. Há um mês, a cotação era de R$ 5,20 e, na semana passada, estava em R$ 5,45. A expectativa é de que se mantenha por volta de R$ 5,50. Para 2022, também é de R$ 5,50 e, para 2023, de que caia para R$ 5,25. No curto e médio prazo, o dólar continuará valorizado, beneficiando as exportações e penalizando aquilo que é importado.

 

Selic

Segundo os economistas entrevistados pelo BC, o juro da Selic deve fechar o ano perto dos 10%. Hoje, a previsão é de 9,25%. Há um mês, a aposta era de 8,25%, e na semana passada, de 8,75%. A leitura indica que, nas duas próximas reuniões do Copom, vão acontecer novas altas. Com a política de juros altos, o Banco Central pretende conter a inflação, mas encarece os juros e freia a economia. Para 2022, a pesquisa indica 10,25% e, em 2023, a tendência é de 7,25%. Os cenários futuros indicam juro elevado.

 

Como será 2022?

Hoje, as atenções já estão voltadas para 2022. Com certeza vai ser um ano de muitas incertezas. Em primeiro lugar, é um ano eleitoral e, neste período, tanto o antes como o depois ficam indefinidos. Os candidatos, as pesquisas, as andanças correndo atrás dos votos. Quem vai se eleger? Qual política será adotada? Mais liberal ou mais de esquerda? É um momento em que os investidores tendem a se retrair, aguardando uma definição no quadro eleitoral, e este período deve se prolongar por quase todo o ano. No lado das reformas, ainda existem indefinições do que vai ser aprovado este ano e do que fica para o próximo, o que também traz incertezas. E a crise hídrica, vai continuar? Terminará em abril? O preço da energia continuará subindo ou ficará estável? O mercado suporta preços mais altos? Investir ou deixar para depois? Até quando a falta de matérias-primas e componentes vai durar? Deixando de lado o aspecto local, também existem grandes indefinições nos mercados externos. Em relação à Covid-19, ainda existem vários países que vacinaram pouco, o que traz dúvida sobre o fim da pandemia. Poderá vir uma nova onda? E o petróleo continuará em alta? Até quando? A alta dos combustíveis atinge tanto os produtos de consumo como também a produção. Na China, o momento é de ajustes na economia, a demanda está sendo contida em razão da escassez na oferta. Crescerá menos e isso vai afetar a todos, pois este país é um gigante no mundo econômico. Na Europa, onde está chegando o inverno, está faltando energia e existe escassez de mão de obra. O crescimento mundial ficará abaixo do previsto e desejado. Como se vê, existem motivos de sobra tanto por aqui como por lá para que o ano de 2022 seja de grandes dificuldades e incertezas. E aí, todo o cuidado é pouco.

 

Pense

A vida se contrai ou se expande proporcionalmente à coragem do indivíduo.