Pecuária: gestão da propriedade e manejo do rebanho são fundamentais no mercado em baixa

Momento pode ser oportuno para que pecuaristas focados na criação e engorda investirem em genética

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Dupla Grande Campeã raça Ultrablack Expointer 2023 (Crédito: Divulgação/Cabanha Madrugada)

O mercado pecuário gaúcho é marcado, no começo deste mês de novembro, pela realização da ExpoLavras. A feira, que começou hoje (02) e segue até terça-feira (07), traz a expectativa de que os animais sejam negociados com preços um pouco melhores do que os registrados nos remates que ocorrem regularmente na cidade vizinha, um dos centros deste tipo de atividade no interior do Estado.

No último remate realizado antes do evento, em 31 de outubro, o preço médio pago pelo quilo do terneiro foi R$ 7,44. Segundo o presidente do Sindicato Rural de Lavras do Sul, Francisco Abascal, é difícil projetar valores para as vendas durante a feira, mas ele espera ver uma reação do mercado comprador. Já o leiloeiro Renan Delabary detalha que o evento atrai animais diferenciados, que costumam ser mais valorizados.

O presidente do Sindicato Rural de Caçapava do Sul, Christian Schievelbein, observa que o mercado comprador gosta de animais bem apresentados. Para ele, o ciclo de baixa da pecuária já passou por seu pior momento, mas uma retomada mais forte de preços pode tardar até dois anos para acontecer. Com isso, o pecuarista dedicado à criação e à engorda tem a oportunidade de investir em genética, melhorando os terneiros que serão vendidos a partir de 2025.

Especialistas convidados pela Cotrisul para palestrar aos associados na segunda-feira (30), em Caçapava, apontaram duas questões centrais para que os criadores possam enfrentar este momento de baixa no mercado pecuário e se destacar em eventos como a ExpoLavras. A primeira é investir no manejo adequado do rebanho, e a segunda, fazer uma gestão “sistêmica” da propriedade. O foco, explicou o consultor técnico Rodrigo Baiotto, precisa estar no planejamento produtivo voltado a suprir as exigências nutricionais de cada categoria do rebanho. Para tanto, ele afirma ser necessário planejar metas e observar indicadores de produção e de gestão do negócio.

A isso a zootecnista da Cotrisul, Evellyn Scherer, acrescenta: “Um animal bem nutrido e com suas exigências nutricionais e sanitárias em dia tem um desempenho reprodutivo melhor, maior ganho de peso, melhor desenvolvimento muscular e ósseo (no caso dos filhotes), além de ficar menos suscetível a doenças e parasitas”.

A experiência de alguns associados da cooperativa corrobora a recomendação. O pecuarista José Itamar Zago dos Santos, da Cabanha Paraíso, de Santana da Boa Vista, se dedica à raça Brangus há 13 anos e conta que seus resultados melhoraram quando aliou a pastagem nativa às rações da Cotrisul, seguindo recomendações técnicas. Animais apresentados por ele foram premiados na Expofeira de Caçapava.

“Vendi touros de três anos com 820 quilos, em média. Os animais de dois anos chegavam a 700 quilos. Estava me preparando para participar da ExpoLavras, mas acabei vendendo tudo antes”, conta.

Resultado semelhante teve o associado Vinícius Só Porto, da Cabanha Madrugada, de Cachoeira do Sul. O criador de Angus e Ultrablack teve animais reconhecidos em Caçapava, Cachoeira, São Sepé e Esteio. A dupla Grande Campeã da raça Ultrablack na Expointer foi apresentada por ele. Animais de dois anos com 805 e 840 quilos.

“Neste ano, consideramos que o preço alcançado com os touros foi razoável, apesar da baixa do mercado. A queda é grande, o Estado tem recebido muito gado do Brasil central. Mas o pessoal que compra para criar quer animais diferenciados. Preço não foi tão alto com relação aos outros anos, mas olhando o cenário geral, foi bom. Esperamos que melhore o mercado da carne gaúcha. Confio muito no trabalho da Cotrisul. Nossos resultados melhoraram muito quando passamos a contar com a assistência da zootecnista”, disse.

Texto: Clarisse de Freitas/Ascom Cotrisul – adaptado