Não há só rosas em nossos caminhos, surgem ervas más para enfeiá-las. Os dissabores acontecem.

Uma noite mal dormida, uma torneira que pinga, uma janela ou porta batendo porque alguém esqueceu de trancá-la, um grilo que a gente procurou em vão antes de ir para a cama e, no meio da noite, nos “brinda” com o seu recital…

E aquela dorzinha no estômago! Será que comi algo que não devia?

Minha mãe, ao abençoar-nos toda noite, tendo antes assistido a nossas brigas de irmãos, nos dizia: “Façam as pazes, não durmam de mal, vão ter pesadelos”.

Nas lições da Bíblia, há uma passagem em que os fariseus e doutores do Templo criticavam os apóstolos de Jesus por sentarem-se à mesa sem ter feito antes as purificações previstas na lei de Moisés. E Jesus retrucou-lhes: “O mal está dentro de vós, não vem de fora”.

Mamãe já sabia disso.

Nos dias atuais, é comum famílias inteiras, pai, mãe, filhos e “agregados” necessitarem de psicólogos, psiquiatras e terapias para exorcizar o que guardam no seu subconsciente, que não os deixa viver em paz no dia a dia. Um amigo chegou a levar o cachorrinho de estimação a um terapeuta de animais para abrandar seu temperamento.

O doloroso é que, nessas sessões, culpam pai ou mãe por seus desajustes de adultos que não conseguiram superar, quando deviam procurar dentro de si mesmos as razões de seus conflitos íntimos. E, se não foram amados por eles como desejavam, procurem entendê-los e amá-los na sua decrepitude. Isso não fará bem não só aos pais, como a quem assim proceder.

E para os que já aprenderam que temos livre arbítrio e que nossas ações e atitudes são de nossa responsabilidade, é mais fácil aceitar os dissabores, porque “não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe”.

Purificando nosso íntimo com sentimentos de amor e perdão, vamos transmitir a paz que nos traz a alegria de viver e as esperanças de melhores dias para a Humanidade.