Ponto de vista

Aliás, na política mundial, e na caçapavana especialmente, tem lagoa virando de boca pra baixo e manancial se esgotando, no más

Daqui do gabinete do diretor da Câmara de Vereadores, onde me encontro episodicamente instalado e trabalhando, desfruto de uma vista panorâmica esplêndida e cheia de história: Praça da Matriz, torres da mesma igreja e um céu pampeano tingido com as cores da estação, enxovalhadas pelo El Niño. Dia desses, por volta do meio-dia, meio ermo, e eu sorumbático, imerso em pensamentos muitos e diversos, dei-me conta de que sou mesmo um baita privilegiado. Estou vivo na sétima década da existência, e com saúde, porquanto saiba e sinta, ocupado e produtivo, na medida do que me solicitam, e com esta vista toda para deleite dos olhos e da alma.

Ah, mas de ti também falam bastante mal”, dirão alguns ou até muitos. Sim, e daí? Ninguém perde seu precioso ou mesmo pouco valioso tempo para chutar cachorros mortos pelos becos da cidade. Pois não?

Tempo de praias, de ventos, mormaços e vestimentas poucas, e o mundo velho seguindo seu rumo, arrodeando no ritmo da tal da “rotação”, morosa e impertinente, na imensidão planetária, sem deixar cair a água salgada dos oceanos!

Eu sempre tive essa dúvida: se essa água toda do mundo caísse quando os mares estão de boca para baixo, para onde iriam entornar, como se um dilúvio fosse? E o bicharedo (baleia, tubarão, etc) que existe submerso, pra onde é que se enfiaria? Não sei se vocês me entendem naquilo que desejo lhes falar! Metade do mundo viraria assim, como uma lagoa grande no meio do campo, em tempo de seca braba.

Tão seca, que nem a alma de muitas pessoas que destilam fel e salgam suas convivências e desejam salgar a vida de todo mundo ao seu redor, no mister de proteger o próprio umbigo, sufocados pelo desejo de sempre vencer, sem considerar as possibilidades dos adversários da luta.

Aliás, na política mundial, e na caçapavana especialmente, tem lagoa virando de boca pra baixo e manancial se esgotando, no más. E olhem que tem chovido cá pras nossas bandas, neste verão meridional. E muito mais choverá, segundo as previsões vigentes. Enquanto isso, o mundo explode bombas, mata gente inocente e espalha destruição, em defesa de dogmas e políticas que nem sempre se sustentam. Então, meus amigos, cada um bombeia seu universo do patamar donde se encontra, e é daí que tira suas próprias conclusões. Principalmente acerca da vida dos outros que nem sempre conhecem, mas que analisam e julgam definitivamente. Isto é, para todo o sempre.