Prejuízos com o clima devem refletir nas cooperativas agropecuárias

Expectativa da FecoAgro/RS é de que safra de verão tenha normalidade depois de dois anos seguidos de quebras por causa da estiagem

Paulo Pires (presidente FecoagroRS) - Crédito Nestor Tipa Júnior AgroEffective Divulgação
Paulo Pires, presidente da FecoAgro/RS (Crédito: Nestor Tipa Júnior/AgroEffective)

O ano de 2023 foi de desafios na produção das culturas em geral no Rio Grande do Sul, devido ao clima. Primeiro, a estiagem novamente afetou a safra de verão. Depois, houve perdas na safra de inverno, em razão do excesso de chuvas. As afirmações são do presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado do Rio Grande do Sul (FecoAgro/RS), Paulo Pires.

Conforme o dirigente, as cooperativas também tiveram reflexo em relação a estes prejuízos nas lavouras, o que pode trazer um pequeno recuo em seu faturamento anual.

– Os resultados são muito apertados. Além disso, houve baixas de preços e também há a questão do clima. Isso é uma coisa que impactou bastante no resultado das cooperativas – destaca.

Para 2024, Pires afirma que a expectativa é grande porque, depois de dois anos, a perspectiva é de uma safra normal das culturas de verão.

– Temos o milho com problemas, mas temos uma safra que vem melhor do que o ano passado, apesar de questões como bactérias, falta de luminosidade, o que acarretou em falhas. E a safra de soja, estamos com muita confiança. Acabamos de plantar dentro de uma condição ideal. Vamos torcer para que essa questão do fenômeno El Niño não exista e não haja aquele excesso de chuvas, como houve no passado – ressalta.

O dirigente acrescenta que a resiliência do produtor gaúcho é fantástica nos momentos de adversidade.

– Ele toma essas pauladas e ainda olha para frente. Por exemplo, a safra de inverno, que já estamos programando a próxima. Essa resiliência é que dá garra, essa tenacidade do produtor – afirma.

Durante o ano, a FecoAgro/RS também atuou em diversas frentes junto às cooperativas. Segundo o presidente, uma delas foi em relação às mudanças significativas sobre o crédito.

– Com essas questões de mudança de governo, algumas coisas, conseguimos mudar, e isso é muito bom. Esse capital de giro em nome do produtor que as cooperativas têm é imprescindível. Muitas cooperativas têm desafios de estrutura tentando crédito, e o crédito não é abundante, não é farto. A gente está sempre batalhando por isso – frisa.

O dirigente também reforça a luta pela bandeira ambiental, na qual as cooperativas estão engajadas.

– Só não podemos ser rotulados e dizer como nós temos de fazer e o que nós temos de fazer, através de uma imposição internacional e, principalmente, de continentes que não cumpriram a sua missão de preservar o meio ambiente. Nós temos produzido, não existe ninguém mais interessado do que as cooperativas e os produtores na preservação climática, mas nós dependemos do clima – enfatiza.

Texto: Nestor Tipa Júnior/AgroEffective – adaptado