Na última quarta-feira, com a imposição das cinzas e a abertura da Campanha da Fraternidade de 2023, iniciamos mais uma quaresma. Enquanto em alguns lugares desse imenso Brasil ainda acontecem alguns arrastões de Carnaval, nossos fiéis são convidados a mergulharem no clima da quaresma. Serão quarenta dias de intensas orações, jejuns e gestos de caridade como proposta para celebrarmos, da melhor forma possível, a Páscoa do Senhor, quando celebramos a vitória da vida sobre a morte.

Quaresma não é um período de tristeza, de andar com o semblante rígido, mas sim tempo de silêncio interior, de meditação, de menos barulho, de conversão. Através da oração, da penitência e a da prática da caridade, somos convidados a nos converter e a voltar nossa vida para Deus.

Durante o período quaresmal e pós-páscoa, a Igreja Católica do Brasil nos convida a vivermos intensamente a Campanha da Fraternidade, que, pela terceira vez, nos desafia a refletirmos e agirmos diante da fome de milhões de irmãos nossos que ainda não têm o direito à alimentação garantido.

Aliás, é uma vergonha para todos nós sabermos que milhões de pessoas ainda passam fome em nosso país e no mundo!

Diante dessa vergonhosa realidade da fome em nosso país, a Campanha da Fraternidade, com o tema “Fraternidade e Fome” e o lema “Dai-lhes vós mesmos de comer”, nos desafia a refletirmos e, muito mais do que isto, a agirmos concretamente para erradicar a fome. Jesus, vendo a multidão com fome, sentiu compaixão e ordenou a seus apóstolos que dessem de comer à multidão. “Dai-lhes vós mesmos de comer”, ordenou Jesus!

No feriado de Carnaval, participei, junto a uma representação da paróquia, da Romaria da Terra, que foi realizada em Eldorado do Sul, no Assentamento Integração Gaúcha. O tema motivador dessa romaria foi “Terra e Pão, em defesa dos territórios e produção da vida”. Fiquei positivamente impressionado com o entusiasmo daquelas 69 famílias assentadas que produzem diversos alimentos, inclusive arroz orgânico, que é consumido em vários lugares do Brasil.

A grande imprensa nem sempre divulga as iniciativas que são bem sucedidas nos assentamentos. Fiquei feliz em saber e ver com meus próprios olhos o arroz produzido sem uso de agrotóxicos. Fiquei feliz em saber que, nesse assentamento, vivem aproximadamente 500 pessoas produzindo alimentos saudáveis. A terra bem cuidada nos garante a segurança alimentar.

Na hora do almoço, é muito comum ver os romeiros partilhando os alimentos trazidos. Sentados, em círculos, repartindo o pão. O interessante é que sempre sobra! Nós de Caçapava do Sul nos juntamos com a turma de Cachoeira do Sul e partilhamos nossos alimentos. Quando acontece a partilha, todos se alimentam e ninguém passa fome!

Outro fato que me chamou a atenção, e que contrasta com a maioria dos eventos de massa, foi que as pessoas que participavam dessa romaria não jogaram seu lixo produzido no chão. Todos sabem que o lixo produzido deve ser colocado nas lixeiras. Aliás, esse costume deveria ser algo normal no meio de nós. Não é tão difícil assim jogar o lixo na lixeira. Dessa forma, a cidade fica mais limpa e o meio ambiente agradece.

Na escola da vida, vamos sempre aprendendo e vendo que sempre é possível fazer algo a mais pelo meio ambiente e pela vida. Que essa quaresma seja tempo favorável de conversão. Rezemos pela nossa conversão e pela conversão de todos os pecadores.