“O Brasil, apesar do empenho e do heroísmo de muitos patriotas em estabelecer os direitos do cidadão que produz os bens, ainda não se libertou do regime de colônia”
A História se repete. A Quaresma deste ano nunca me parecera tão bem representada, com Césares, Tibério, Herodes, Pilatos, Fariseus, Senhores e Escravos. Não faltam os Judas Iscariotes, que trocam vidas por dinheiro, petróleo, novos impérios.
Nas devoções desta Semana Santa, elevam-se preces pedindo a paz e o fim dos padecimentos de milhares de vítimas das mortíferas armas de guerra, condenadas a deixar suas casas, suas cidades, senão a própria vida.
Que todos os humanos tenham sua moradia, onde possam viver em paz com a família, educar seus filhos, assisti-los nas necessidades, nas doenças, nos problemas próprios da idade… Que os idosos sejam tratados com dignidade e atendidos em suas naturais fraquezas.
Enfim, pede-se muito – e as leis estão-se atualizando neste sentido – que cessem os feminicídios. E também as mortes de inocentes por vinganças a ex-companheiras.
Desde os primórdios da Terra, Bem e Mal se confrontam, num clima que nada respeita, nem o próprio ambiente e os meios de sobrevivência de trabalhadores do campo, dos rios, das florestas. Os peixes, nos rios e nos mares poluídos, os animais nas florestas e nos campos devastados, tiram o sustento de milhares de trabalhadores desempregados e famintos. E os indígenas lutando por seus territórios, meios de vida, dignidade de sua cultura. Esse é o cenário atual.
Em meio a tantos temores pelo futuro de nossas crianças e jovens, as campanhas eleitorais são uma preocupação a mais para quem espera o fim da prepotência dos poderosos, a malversação das riquezas comuns produzidas pelos que trabalham, a divisão de classes numa pirâmide que só nos envergonha.
O Brasil, apesar do empenho e do heroísmo de muitos patriotas em estabelecer os direitos do cidadão que produz os bens, ainda não se libertou do regime de colônia. Filhos da classe alta estudam nas Universidades Federais, e os da classe de operários e funcionários, no regime de Bolsas de Estudo em Universidades particulares. Os cargos de chefia, em instituições estatais, premiando os mais graduados na escala social, e os preteridos lutando por dignas oportunidades.
Mas o tempo é de amor, de paz, de perdão. Que todas as Igrejas se unam na mesma prece de reconciliação, tornando-nos fraternos e capazes de perdoar a quem nos ofende e prejudica.
Pois Cristo morreu pelos pecadores. Ele procura a ovelha perdida. Ele acolhe o filho pródigo e abraça Zaqueu, o cobrador de impostos. E manda que atire a primeira pedra aquele que não tem pecado.
Feliz e abençoada Páscoa para todos nós, irmãos, filhos de Deus.