Vejo o mundo dos humanos como um grande jardim. Ali, há flores que são colírios para os nossos olhos, mas também existem ervas daninhas que as ameaçam e enfeiam. Todo o cuidado é pouco, pois os predadores não dormem em serviço: formigas comilonas, lesmas que agem escondidas e as intempéries, chuva demais, chuva de menos, ventos que desfolham e abreviam a sua vida.

É lindo um jardim bem cuidado, regado na medida certa, protegido contra seus predadores, pois ele retribui com um espetáculo de cores, formatos e aromas.

Assim é uma criança muito amada pelos pais e familiares. Ela desabrocha em plenitude, no tempo certo e a cada dia apresentando novas aprendizagens da vida. Uma criança gerada e nutrida com amor e todos os cuidados necessários é como uma abobrinha na terra adubada, a cada dia mais gordinha e sorridente, com as fraldinhas secas e o alimento na hora. No colo amoroso da mãe, assistida pelo pai, não precisa de mais nada.

Neste Dia da Criança, rogo a N. Sra. Aparecida que abençoe todos os lares do Brasil, famílias pobres, humildes ou de recursos – não importa a classe – que sabem proporcionar à sua prole o lar que elas merecem para serem felizes e fazerem este mundo mais pacífico e fraterno. E às famílias debaixo da ponte, que Deus as proteja e encaminhe.

Não é preciso cumular os filhos de bens materiais, brinquedos caros, roupas, ambientes luxuosos. Basta sua atenção e carinho para compreendê-las e aprender com elas que o que faz a felicidade é ser simples, humano, carinhoso. E saber entreter-se com uma caixa vazia de sapatos que servirá de casa para a boneca; de ossos bovinos para a tropa de gado da fazenda do menino; de uma bola de meia ou panelinhas de tampas de potes quebrados, tudo vale. Até os raios de sol entrando pela janela, a flor balançando-se nos galhos pela brisa, a criança vê tudo com olhos divertidos e de confiança.

Que os pais valorizem o tesouro que têm em suas mãos, aproveitem ao máximo esse convívio bem próximo, mas aceitem que os filhos não são só nossos, eles têm sua própria vida e, um dia, vão partir para os novos lares. Que eles levem a nossa bênção, o carinho do primeiro lar e as boas lembranças da infância. E a vontade de não deixar de visitar-nos.