Trabalho e aposentadoria

“Uns engravatados, outros empunhando ferramentas de trabalho manual, não importa o aparato, todos são necessários à vida e ao progresso de uma comunidade”

Seu Joãozinho acordou cedo. Procurou os chinelos que o Petisco mais uma vez escondera. Seu cãozinho de estimação gostava de morder sapatos e chinelos e de fazer outras travessuras. Dona Lola reclamava, mas era o entretenimento predileto do marido. Agora aposentado, não lhe restava muita coisa para distrair-se. A artrite lhe roubara o prazer de lidar no jardinzinho ou na horta. E, para agendar uma consulta ou algum tratamento, precisava de paciência para esperar. O vizinho, com quem chimarreava contando piadas, agora com Alzheimer, estava “fora da casinha”. Trocava o dia pela noite, quando atacava a geladeira, e o resto do dia, passava dormindo.

Ah, aqueles bons tempos em que um caminhão apanhava os trabalhadores em cada esquina para trabalharem na lavoura! Que saudade! Voltava para casa cansado, mas feliz pelo sustento da família. Com o salário, mantivera os filhos na escola, e hoje eles são formados em faculdade e independentes. E a mulher o esperava com um suculento jantar, satisfeita com a despensa bem provida.

Lembrou-se de uma passagem bíblica, em que um senhor de uma vindima saía pela estrada a recrutar trabalhadores. A vida se repete.

Mas, hoje, os fazendeiros, criadores e donos de grandes lavouras se queixam. É cada vez mais difícil recrutar mão de obra para o campo, ou mesmo para o trabalho na cidade. Muitos são convidados, mas quantos deles preferem entreter-se com as drogas que os fazem sonhar com um mundo feliz? Entretanto, endividados com os fornecedores, temem a morte. E saem a pedir nas casas um trocado para comprar pão ou até um bombril. Dizem que é para arear panelas. Vai confiar!

As autoridades do país, cada uma em sua área, procuram meios para acabar com o tráfico de drogas, com as cracolândias das grandes cidades e mesmo dos municípios menores, mas o mal continua a expandir-se, muitas vezes com a corrupção da Polícia ou de Agentes da Saúde e de outros órgãos. O poder do dinheiro faz calar as consciências.

Porém, nem tudo está perdido. Há mais trabalhadores honestos e competentes do que aqueles que fogem dos compromissos de emprego. Temos operários honestos e ativos, policiais que vigiam as ruas e nos protegem; uma gama de serviços com agentes que atendem às necessidades de suas comunidades. Uns engravatados, outros empunhando ferramentas de trabalho manual, não importa o aparato, todos são necessários à vida e ao progresso de uma comunidade.

Que eles sejam abençoados neste Dia do Trabalho e sempre, pelo bem que praticam, como uma missão ditada pelos talentos que Deus lhes deu.