TV Box apreendidas pela Receita Federal transformam-se em computadores para escolas

Com isso, todos ganham. A Receita cumpre sua missão de combater os crimes aduaneiros; nas universidades, alunos e professores ganham experiência prática; e os destinatários finais dos computadores ganham equipamentos essenciais

A Receita Federal, sempre que possível, destina as mercadorias apreendidas em operações de combate ao contrabando e ao descaminho a instituições, governos e projetos que possam redistribuí-las ou reaproveitá-las em algum tipo de ação em prol da comunidade.

Existem alguns produtos, no entanto, cujo reaproveitamento é um verdadeiro desafio. Roupas falsificadas, por exemplo, dão bastante trabalho. Não se pode simplesmente repassá-las à comunidade, ostentando logomarcas que são propriedade intelectual de empresas. Nesses casos, é preciso, antes, descaracterizar a falsificação.

No final de julho, a Receita fez uma nova parceria com o governo do Estado para reaproveitar esse tipo de vestuário.

Outros produtos cujo reaproveitamento depende de alguma criatividade e de parcerias são as bebidas alcoólicas.

Garrafas comercializáveis, trazidas ao Brasil de forma ilegal, vão a leilão. Já as bebidas de origem desconhecida (e que podem representar riscos à saúde) representavam, antigamente, um dilema logístico para a Receita Federal.

Dilema este que foi resolvido com uma série de convênios firmados com universidades, que passaram a utilizar seus laboratórios de química para transformar as bebidas apreendidas em álcool gel. O resultado disso foi um fluxo de produção que evitou a escassez do produto em boa parte do sistema público de diversas regiões do Brasil.

TV Box

Neste ano, encontramos – mais uma vez em parceria com instituições de ensino – uma nova solução de reaproveitamento para produtos apreendidos que, tradicionalmente, seriam destruídos: a transformação de TV Box ilegais em computadores.

No final de agosto, a Receita Federal, em parceria com a Universidade Federal de Lavras (UFLA) e com o Centro de Educação Tecnológica de Minas Gerais – Campus Varginha, entregou 350 minicomputadores a 12 prefeituras do Estado de Minas Gerais.

Ações deste tipo vêm sendo desenvolvidas em várias regiões do Brasil. O processo é sempre o mesmo: a Receita apreende os aparelhos (trazidos ao Brasil ilegalmente, e normalmente destinados à recepção de sinal roubado de TV por assinatura), e entrega-os às universidades.

Nelas, grupos formados por alunos e orientados por professores da área de tecnologia removem o software que dá acesso ilegal aos satélites e conteúdos piratas e reconfiguram as máquinas com sistema operacional e softwares de educação gratuitos. Depois, é só acoplar teclado, mouse e um monitor. E pronto: a TV Box transforma-se na CPU de um minicomputador.

Com isso, todos ganham. A Receita Federal cumpre com sua missão de combater os crimes aduaneiros, protegendo a indústria e o ambiente de negócios do Brasil; nas universidades, os alunos e professores envolvidos ganham experiência prática no processo de modificação e adaptação dos aparelhos; e na ponta, os destinatários finais dos computadores ganham equipamentos essenciais para a educação de crianças, jovens e adultos.

A produção de minicomputadores a partir de TV Box já serviu para equipar diversas escolas em regiões remotas do Brasil, que, de outra forma, jamais teriam um laboratório de informática.