Último ato

O espetáculo do início e do fim deste mês, da lua cheia, deve ter inspirado poetas e sonhadores que teimam em olhar para o alto

Enquanto escrevo, sinto o sol aquecer-me as costas, pois as vidraças estão fechadas. Agosto com este frio é de espantar. Mas o mundo está em contínuo processo de transformação. Para bem ou para mal? Quem pode saber?

Mas o que temos de bom, vamos aproveitar. O espetáculo do início e do fim deste mês, da lua cheia, deve ter inspirado poetas e sonhadores que teimam em olhar para o alto. Até os humildes, pelas frestas de seus barracos, devem tê-la admirado. Porque o belo é direito de todos. Desde que tenham coração puro para percebê-lo.

Ainda teremos geada, e, no mapa do Estado, aparece Caçapava do Sul  como a cidade mais fria, que terá os campos cobertos de gelo. Talvez seja de despedida do inverno.

No entanto, este mês será lembrado pelo trágico falecimento de Francisco, homem do campo que ele amava, cuidando de seus rebanhos e da produção da fazenda. Com tanta vida ainda para gozar! Parentes e amigos confortando sua viúva, na despedida final, eram um grupo silencioso e sentido pela dor do último adeus.

O desaparecimento, por duas semanas, do cidadão que saíra para divertir-se na cidade e ocupou as redes sociais, finalmente, foi resolvido. Encontraram seu corpo no domingo.

E as mortes violentas em todo o país crescem em número e horror. Criancinhas, adolescentes, pobres, moradores de rua são atingidos por balas perdidas ou vingança. As vítimas de abordagens policiais ou de vigilantes de estabelecimentos comerciais ou de diversão já deixaram de surpreender-nos. E os feminicídios ocupam os primeiros lugares dessa lista maldita.

Se não fossem as boas obras de organizações de bons samaritanos, que procuram os melhores meios e recursos de atender aos desprotegidos, era de pensar que o Mal estaria vencendo. Mas isso, nunca.

Nossas crianças, com sua pureza e meiguice, é que nos apontam o caminho. De simplicidade, amor ao próximo, valor à vida.