Um baita presente

Quem é que dá um elefante de presente pra alguém? Não, não é uma piada, é uma história real.

Quem é que dá um elefante de presente pra alguém? José Saramago responde: um rei português! Não, não é uma piada, é uma história real. Em uma espécie de introdução, o escritor explica que fora palestrar em Salzburgo, na Áustria, e num restaurante a que o levaram, umas esculturas chamaram sua atenção. Uma pessoa que o acompanhava lhe explicou a que se referiam e o ajudou a obter mais informações acerca dessa história, que ele nos conta nas páginas de A viagem do elefante.

D. João III e sua esposa, Dona Catarina, estavam com um problema: o rei achava que o presente de casamento que haviam dado (quatro anos antes) a um primo, o arquiduque austríaco Maximiliano, não fora bom o suficiente e, agora que ele é o regente da Espanha e está em Valladolid, devem enviar-lhe algo melhor.

Após pensar um pouco, a rainha tem a grande ideia de presentear o primo com Salomão, um elefante que ela e D. João III haviam ganhado e não tinha muita utilidade na Corte. Certeza que na do Maximiliano ele ia ter…

O rei gostou da ideia, disse que escreveria ao primo e, se ele aceitasse o presente, combinaria como enviá-lo a Valladolid, que era até onde D. João se comprometeria. Se o arquiduque quisesse levá-lo para Viena, problema dele!

E não é que o Maximiliano aceitou o presente? E ainda decidiu levar o elefante pra Viena! São os acontecimentos dessa viagem de Portugal à Áustria que Saramago contará. Mas cuide que não se trata de um livro de História. Ao mesmo tempo em que o autor conta o que descobriu em suas pesquisas, como ele mesmo deixa claro em determinada passagem do texto (além de outras em que isso fica subentendido), preenche os “espaços vazios” (o que não ficou registrado) com coisas de sua própria mente. Essas são passagens bem-humoradas, que arrancam boas risadas, deixando a leitura bem leve. O difícil é saber o que é real e o que é ficção…

Referência: SARAMAGO, José. A viagem do elefante. São Paulo: Companhia das Letras, 2008. 262p.