A Gazeta foi convidada a conhecer a Casa de Cultura Juarez Teixeira, que será inaugurada amanhã, dia 21, às 18 horas, com um evento para autoridades. Na sexta-feira, dia 22, também às 18 horas, a Casa abre para o público. Haverá exposição de fotografias, visitação e uma apresentação de chorinho e sambas antigos com o grupo “Tudo junto e misturado”. Agora, contamos aos leitores como foi a visita:

Após 10 meses de muito trabalho, está quase tudo pronto na Casa de Cultura Juarez Teixeira, localizada na esquina das ruas General Osório e Benjamin Constant. No local, através da exposição que reúne objetos de valor histórico para o município – como o piano que pertencia à Escola Santíssimo Nome de Jesus e o órgão da Igreja Matriz – podemos viajar pelo passado e conhecer um pouco do que foi a Caçapava dos séculos XIX e XX.

A Casa tem duas entradas pela Rua General Osório. Ao entrarmos pela principal, o que primeiro vemos é uma coleção de fotos da Caçapava da década de 1920, todas em preto e branco e em boa qualidade. Segundo a jornalista Gisele Teixeira, curadora da exposição, elas foram feitas pelo Dr. Carlos Lang, que trouxe um equipamento da Alemanha.

As salas são divididas por temas. Se entrarmos na primeira à esquerda – a visitação não tem uma ordem pré-definida – veremos a exposição sobre som e imagem, que conta com gramofone, vitrola, rádios de diversas épocas, projetor de cinema e a repetidora de televisão feita à mão por José Virgílio Pavanatto, que, conforme Gisele, permitiu que a Copa do Mundo de 1970 fosse vista em Caçapava.

Na sala à direita, fica a seção das costureiras e artesãs, uma homenagem às mulheres que fazem trabalhos manuais. Ali serão ministradas oficinas de costura e de bordado. É possível ver máquinas de costura antigas, ferros de passar roupa, e aprender sobre todo o processo de trabalho com a lã.

– Estamos chamando as mulheres costureiras e artesãs para que tragam suas fotografias, ou de antepassadas. Queremos fazer uma grande homenagem a elas – disse Gisele.

Seguindo pelo corredor, chegamos a um espaço amplo, onde está exposto o piano. Ele foi restaurado e afinado e está pronto para quem quiser tocá-lo. À esquerda deste espaço, fica a sala dos ofícios, em que estão reunidos objetos utilizados por profissionais como farmacêuticos, médicos, padres e sapateiros.

Se subirmos a escada, conheceremos uma sala de jantar do século XIX; se optarmos por seguir em frente pelo corredor, veremos peças delicadas expostas em um móvel que pertenceu à Livraria Santa Terezinha, e saberemos como eram os quartos dos casais e das crianças nos anos 1920. Para mobiliar o quarto do casal, foram usados móveis em estilo art déco que pertenceram aos pais de Juarez Teixeira.

Ao fim do corredor, saímos para o pátio cultural, onde serão realizados eventos e atividades ao ar livre, a começar pela cerimônia de inauguração. Descendo a escada, à esquerda, entramos nos espaços que representam a cozinha de uma casa no campo e um galpão.

Gisele, curadora da exposição, ao lado do pai, Juarez Teixeira                                                                                  Foto: Guilherme Félix

Para quem ingressar na Casa de Cultura pela entrada secundária, à direita estará a sala que conta a história do Clube União Caçapavana, das Cavalhadas e do ambiente escolar. Ao fim deste corredor, há uma minibiblioteca que funcionará no sistema de troca-troca (em que a pessoa leva um livro e retira outro), e também a loja da Casa de Cultura, onde serão vendidos itens de artesanato de Caçapava e produtos que façam referência ao território e à natureza do município. Mais adiante, se chega a uma sala reservada para oficinas, palestras, bate-papos e aulas.

Entre as entradas principal e secundária, há um corredor que funciona como uma minigaleria de arte. Nele, estão expostos quadros e esculturas de artistas caçapavanos. No corredor da entrada secundária, serão feitas mostras temporárias.

Perguntado sobre o que sente ao ver a Casa quase pronta para ser inaugurada, Juarez Teixeira disse que é uma alegria muito grande e uma satisfação enorme.

– Foram muitos meses de trabalho, as coisas foram se encaixando. A gente teve um pouco de sorte também. A população nos apoiou, recebemos muitas doações. Temos o compromisso de manter esse acervo todo em dia, conservado. Costumo dizer que as peças que chegam aqui pra nós se tornarão eternas – afirmou.

O horário de funcionamento da Casa de Cultura será de quinta a domingo, das 10h às 12h e das 14h às 17h. As visitações guiadas por Juarez Teixeira terão horários específicos, definidos posteriormente, e deverão ser agendadas.

Foto: Isabela Oliveira