Uma mentirosa, hipócrita e de meias

Num curto intervalo de tempo, duas bombas caem sobre Íris. Primeiro, tudo dá errado em “Amor em atos”, e ela fica arrasada. Depois, uma fofoca toma conta da escola e a deixa intrigada: Camila rompera o namoro com Cadu para ficar com uma menina, Édra

A dica de hoje, pode-se dizer, é da Luana Camargo, que citou Elayne Baeta entre seus escritores favoritos, em entrevista à Gazeta no mês passado. Como ela apenas falou sobre a autora, a escolha de O amor não é óbvio se deu de forma aleatória.

O romance é narrado por Íris, uma jovem fã da novela “Amor em atos”, que assiste com sua vizinha, Dona Símia. Mas esse é um segredo que guarda a sete chaves, até mesmo da melhor amiga. Agora, por que esconder algo assim? Só consigo pensar em uma resposta: coisa de adolescente. Afinal, quem não teve vergonha de coisas bobas nessa fase?

Outra coisa de adolescente que se aplica a Íris é ter uma paixonite por um colega de escola, achá-lo a pessoa mais perfeita do mundo e pensar que nunca sentirá aquilo por mais ninguém. Sua paixão é Cadu, que namora Camila há quase três anos.

Bem, namorava… Num curto intervalo de tempo, duas bombas caem sobre Íris. Primeiro, tudo dá errado em “Amor em atos”, e ela fica arrasada. Depois, uma fofoca toma conta da escola e a deixa intrigada: Camila rompera o namoro com Cadu para ficar com uma menina, Édra.

Apesar da paixonite, Íris vê Cadu e Camila como o casal perfeito, e não consegue compreender como é possível o namoro ter terminado. Então, decide investigar a situação para entender o que é que a menina tem que Cadu não tem. E é nessa jornada de descobertas sobre Édra que Íris descobrirá também um mundo novo e cheio de diversidade, diferente daquele em que vive, e também se descobrirá e se entenderá melhor.

A estória é bem escrita, bem construída e não deixa furos, o que mostra Elayne como uma escritora de muito potencial. Mas algo me incomodou durante a leitura: várias vezes, me perguntei que país é esse em que se passa a trama. Há muitas características brasileiras nos personagens, assim como nos nomes de alguns lugares, mas há situações que são tipicamente estadunidenses. Essa mistura, de início, abalava minha confiança no relato, pois eu sentia a verossimilhança comprometida. Ao fim, me convenci de que é um país criado pela própria autora, a partir de vários lugares reais.

Em contraponto, muitos trechos do relato de Íris me tiraram boas risadas, como o que uso de título desse texto. É uma das formas como ela se descreve em certo ponto da trama, quando se arrepende de algumas atitudes.

De modo geral, O amor não é óbvio é leve e divertido, e a leitura vale muito a pena. E quem quiser pode lê-lo ao som da playlist homônima, criada também por Elayne Baeta e disponível em https://bit.ly/3QWnt5O.

Referência: BAETA, Elayne. O amor não é óbvio. 17ed. Rio de Janeiro: Galera Record, 2023. 392p.