Veraneiro

Meu pai sempre dizia que “café pra loco é sem açúcar”, isto é, cada um que se molde aos seus misteres em tempo e espaço, conforme melhor lhe aprouver e, assim, do jeito que melhor consiga ou esteja acostumado

Agora, em fevereiro de 2024, parou de chover e reacendeu o sol aqui nas bandas sulinas de Caçapava do Sul. Todos os dias se parecem com os domingos de festa no Santa Bárbara, calorento e abafado.

Quem tem dinheiro e disponibilidade vai para as praias, alguns outros, sem tempo e capital, frequentam as piscinas/clubes, os arroios, açudes de campo à fora e até as pequenas sangas, ainda não muito poluídas, para se refrescar.

Aumentam as vendas de sorvetes, picolés e açaís; e as cervejas geladas, das mais diversas marcas e preços, passam a fazer parte obrigatória das rodas de amigos e mesas de bar, misturadas com os papos descompromissados de ocasião.

Já se comenta quanto a alguns ensaios políticos, na mídia patrocinada, acerca dos candidatos a prefeito para a eleição de outubro. Se especula quanto ao reinício das aulas que precipitam a volta da rotina de normalidade da cidade depois do carnaval e já se reclama da falta da chuva, porque as plantas e os pastos já começaram a sentir a sua ausência.

Eu sempre fui uma pessoa “veraneira” porque prefiro suar no calor com roupa leve, do que tremer de frio no inverno, entrouxado de trapos de lã pesados e limitativos dos movimentos do corpo. Me recordo de uma certa vez em que viajei pela Europa, num período de inverno no Hemisfério Norte, e assisti ao treinamento de uma equipe de remadores num lago congelado da Suíça, a zero graus, as nove horas da manhã. Vi, também, uma mamãe francesa passeando com seu bebê em um carrinho, com a mesma temperatura, num início de manhã, “numa boa”, por uma rua quase deserta de Paris.

Meu pai sempre dizia que “café pra loco é sem açúcar”, isto é, cada um que se molde aos seus misteres em tempo e espaço, conforme melhor lhe aprouver e, assim, do jeito que melhor consiga ou esteja acostumado. Quem precisa, vai à luta, e o clima nem sempre é empecilho para produzir seu ganha pão. Os serviços pesados da construção civil, da agricultura e da pecuária não podem esperar por tempo bom para serem executados, assim como quem corre atrás da máquina para sobreviver não pode se dar ao luxo de escolher atalho para chegar no fim do mês. Embora nem sempre haja uma boa remuneração para essa gente que vive dos braços.

Por tudo isso, viva o tempo alegre e agitado do verão, de cores, luzes e praias.