Quaresma, quarentena… nuvens negras pairando sobre nós e pressagiando  mais tempestades. Foi um tempo de penitência e sofrimento. Mas, como tudo na vida, acabou. Março de 2021 deixou suas marcas. Jamais serão esquecidas.

Mas abril chegou, e a Páscoa também. Um novo tempo trazendo esperanças, alegria de viver. Pois não foi para a felicidade que fomos criados?

Foi como virar uma página que nos fez chorar de tristeza, mas conseguimos chegar à seguinte, onde tudo se aclara, as vacinas estão chegando mais rápido, já é possível sonhar que a pandemia vai perder a guerra nessa luta insana. Não será de um dia para o outro, mas vamos vencer, com a ajuda de Deus, dos cientistas de nosso tempo, e com a equipe da Saúde. Quando os negacionistas deixarem de atrapalhar.

Os idosos enfrentaram filas sem queixar-se. Dava gosto ver sua satisfação de chegar a esse dia bendito. Que foi também um feliz pretexto para sair de casa e rever amigos e a própria cidade em seus novos aspectos. Ainda que de máscara e bom distanciamento. A cada semana, a idade dos vacinados decresce. Quanta gente querida está aguardando a fase dos sessenta.

Quase me senti culpada por ter sido da primeira leva… Soube de queixosos que desejavam ser os primeiros, e não “esses velhos no fim da vida”.  Mas somos da retaguarda, quietinhos em casa, não constituímos perigo, agora imunizados, para nossos familiares. Afinal, quem sabe a hora de morrer? Dói mais a morte de jovens, que precisam usar os meios de transporte, ou nos ambientes de trabalho, e também nas aglomerações das baladas de fim de semana. Não descobriram que a alegria verdadeira está dentro de nós, não precisa de barulho.

Hoje, vejo meus vizinhos sorridentes cuidando de seus jardins, crianças brincando nos pátios e operários construindo casas; e suas vozes alegres – alguns cantam, outros assobiam – confundem-se com o canto dos pássaros em busca de novos ninhos. Nas fisionomias, a satisfação de retornar ao trabalho e garantir o sustento da família

O clima do outono consertou muita coisa, e abril não nos decepcionou. Com dias claros, céu azul, temperaturas amenas, frutos amadurecendo nos quintais e muitas paineiras enchendo-se de flores. E o bom humor voltando.

Cuidemos em armazenar essa energia e a coragem que ela nos dá para que os dias sombrios do inverno não nos derrubem, como no ano passado.

Que nesse de agora, as esperanças se transformem em certezas de que a vida vai continuar melhor do que antes, mais valorizada e compartilhada neste mundo de irmãos que se ajudam.

Que as nuvens passem, e o céu permaneça sempre azul para todos nós.