Terminei Os testamentos, de Margaret Atwood, algumas semanas atrás. Quando de seu lançamento, eu estava no mestrado, e ainda não havia dado tempo de ler, apesar da grande vontade. Eu não podia chegar perto da estante pra ver algum livro da pesquisa sem que ele ficasse me gritando… Mas enfim seu dia chegou.

Minha história com essa estória começou com O conto da aia, que foi leitura obrigatória de uma disciplina ainda no primeiro semestre do mestrado. Devido à relação entre elas, falarei de ambas as obras nesta coluna. No primeiro livro, Atwood nos apresenta os registros feitos pela aia Offred na República de Gilead. Este novo país foi fundado por um grupo fundamentalista religioso após um golpe contra o congresso dos Estados Unidos, onde a taxa de natalidade havia caído muito nos anos anteriores. Para esse grupo, isso era uma espécie de castigo divino por o ser humano ter se corrompido, e todos deveriam seguir os desígnios de Deus para que o povo voltasse a ser abençoado. Mesmo que se forçados a isso. Alerta de spoiler: os homens desse grupo não estavam exatamente incluídos no “todos”.

O conto da aia foi adaptado em uma série de televisão de mesmo nome. Ela é realmente muito boa, e todos devem assistir – além é claro, de ler o livro, pois há diferenças. Inclusive, em Os testamentos são aproveitados alguns acontecimentos da série na construção da trama. Neste segundo livro, há três narradoras: duas meninas e uma das Tias – que surpreenderá ao leitor quando for revelado quem é. Não sei se “meninas” é o termo mais correto para se referir a elas narradoras, mas acho que é o que mais se aproxima. Primeiro escrevi crianças, mas os eventos vão se desenrolar até a adolescência e o início da idade adulta delas, então…

Mas que eventos são esses? Bem, uma das meninas, assim como a Tia, vive em Gilead; a outra vive no Canadá com a família, que é composta por membros do Mayday, um grupo de resistência ao governo de Gilead. No novo país, as coisas não vão bem: uma das aias conseguiu enviar para o Canadá seu bebê, e Gilead o quer de volta; muitas informações estão vazando, e suspeita-se que há um traidor repassando-as ao Mayday. E realmente há. Uma pessoa percebeu que há tanta corrupção quanto antes, e está se dedicando a derrubar o governo. A esperança que lhes resta é trazer a bebê de volta para recuperar um pouco do prestígio perdido. Mas será que isso funcionará? Ou, quando as histórias das três narradoras se encontrarem, Gilead terá seu fim?

 

Referências:

ATWOOD, Margaret. O conto da aia. Tradução de Ana Deiró. Rio de Janeiro: Rocco, 2017. 368p.

ATWOOD, Margaret. Os testamentos. Tradução de Simone Campos. Rio de Janeiro: Rocco, 2019. 448p.